Chega de decorar valores! Conheça de verdade a empresa onde você quer trabalhar.

Com direito a Framework e Estudo de caso

Saiba tudo sobre aquela empresa dos sonhos em que você está no processo seletivo, saia do lugar comum e entenda mais do que apenas os valores no site!

Dúvidas? Comentários? Sugestões? > gabrielsspereira@gmail.com


Avisos iniciais:

Método Empírico: Este artigo é fruto das minhas — poucas — experiências no mundo corporativo. Depois de ter participado de diversas entrevistas, competições de caso e ajudado vários amigos a se prepararem para processos seletivo achei que estes insights seriam úteis para mais pessoas.

Isso não vai garantir seu emprego — Mas vai te ajudar a chegar lá! Conhecer a empresa que você quer trabalhar é o mínimo, porém, iremos tratar aqui uma abordagem mais aprofundada deste tema.


1 — Os primeiros passos em Processos Seletivos

O que eu e muita gente já fizemos de errado

Talvez você não tenha passado por este problema, mas eu já sofri deste mal e acredito que muitos também. E acho que existem duas opções que se repetem frequentemente:

1. Ou você não tem a menor ideia de onde está indo:

Geralmente você sabe o horário, local, o nome da empresa e que sua entrevista é “com o RH”. Mais nada além da cara e coragem. Foi assim que comecei e olhando pra trás não me arrependo, mas vi que poderia fazer muito melhor do que isso.

Muita vezes não tinha a menor ideia do que a empresa fazia, como ela ganhava dinheiro, quem eram os clientes, quais as funções e áreas na empresa, onde eu trabalharia e coisas do tipo.

2. Ou quando tem ela é superficial:

Nesse caso você já deu uma pesquisada, revisou o wikipedia, decorou a descrição da vaga, entrou no site da empresa, já sabe os valores e vai dizer que admira a empresa e que está alinhado com seu compromisso ético pelo desenvolvimento sustentável dos seus negócios e da sociedade.

Você até que se preparou para o processo, mas seu foco eram nas perguntas pessoais que ela poderia fazer, nos seus 3 defeitos e 3 qualidades, onde você se vê em 5 anos e porque eu deveria te contratar.

E o que estes dois cenários implicam?

“Siiim, Nãããão”. As vezes nossas decisões de carreira são bem parecidas com aquele jogo da cabine que passava na televisão. Se não é da sua época cliqueaqui .”

  1. Escolhas não embasadas — Você segue o fluxo e não é um agente ativo na tomada de decisão da sua carreira. Assim, acaba por abrir mão de outras opções em detrimento de uma que você também não sabe muito bem. É quase uma roleta russa, não?
  2. Desempenho mediano nas entrevistas — Imagine que todos seus concorrentes tenham o Excel Avançado, Inglês fluente, experiência internacional, prêmios acadêmicos e tudo mais que a cartilha pede. Como você vai se destacar mais? Como vai mostrar sua vontade de fazer parte daquela empresa? Você precisa sair do lugar do comum. O que mais consigo fazer que as outras pessoas não fariam?

E agora que eu já falei tudo que você sabia, vamos pra próxima etapa!


2 — O que te leva ao sucesso nos processos de seleção?

Antes de mais nada o mais importante é o seu mindset, você precisa participar do processo como se você já trabalhasse na própria empresa. Os recrutadores estão avaliando se você será um bom companheiro de time ou não, quanto mais alinhado com seus valores, atitudes e até mesmo a forma de comunicação mais chances você tem de entrar.

O que aprendi é que você precisa dominar três grandes áreas nos processos seletivos:

  1. Autoconhecimento — Demonstrar a capacidade de contar suas histórias, seus aprendizados, qualidades, defeitos e outros aspectos.
  2. Conhecimento Técnico — Esta parte pode ser apenas um check quanto pode ser determinante dependendo da vaga. Você precisa conhecer de ferramentas mínimas para aquela posição/Indústria
  3. Conhecimento sobre o Business(Empresa) — Aqui é onde você demonstra que além dos conhecimentos de sala de aula você entende daquele negócio em específico. E é aqui que vamos aprofundar hoje.

Posteriormente acredito que posso detalhar o Autoconhecimento, além de insights sobre como contar suas histórias eu compilei perguntas que são bastante frequentes e que se você nunca parou para refletir sobre elas, definitivamente a entrevista não será o melhor momento.

Vamos focar então agora sobre como conhecer melhor o business da sua empresa escolhida.


3 — Como stalkear aquela empresa que você tanto quer entrar

Se você tiver energia e tempo necessário é possível fazer um incrível trabalho. Além de informações sobre a empresa você consegue desenvolver um olhar crítico e trazer insights legais para a entrevista, que ajudarão inclusive na parte em que você pode (e deve) perguntar aos entrevistadores sobre algum tema.

Esta parte esta dividida em três:

A) Framework — O que procurar?

B) Ferramentas — Como procurar?

C) Exemplos

 

A) Framework — O que procurar?

Use este framework como um guia para direcionar suas pesquisas!

A lógica deste framework é observar primeiro a parte externa da empresa e depois analisar a área interna, sempre do nível macro para o nível micro. Desta forma você consegue melhorar a compreensão dos fatos e notar as ligações entre eles. Esta foi uma maneira que encontrei de me organizar, sinta-se livre para adaptá-lo a sua realidade.

Dentro de cada um dos tópicos vou destrinchar quais perguntas eu gostaria de saber a resposta antes de ir para a entrevista. Como encontrá-las eu explicarei na parte de ferramentas.

 


A1. Macroeconomia

Ao olhar pra Macroeconomia eu quero me responder: O que está acontecendo no nosso país? E ao redor do mundo? O que eu não posso deixar de saber?

Exemplo absurdo: você não saber o que é a operação lava jato.

Importante: para todos os fatores você precisa sempre olhar passado, presente e futuro. Você precisa ser estar apto a contar uma história, como por exemplo:

  • Me conte em poucas palavras qual é o momento político do Brasil e como isso impacta o setor de M&A.

Vamos a estrutura:

Primeiro a divisão foi feito em Brasil e Mundo. E a estrutura para eles é a mesma: Setor Político, Econômico e Outros.

Ao analisar o Brasil:

**Estamos num momento em que economia e política estão intimamente ligados, então é difícil separá-los em dois tópicos. Mas fique em mente que é necessário analisar os dois.

Qual é o trending topic da economia? Qual é o assunto do momento? O país está crescendo? Diminuindo? Quanto? Qual é a história disso, tem caído todos os anos? Quando é a expectativa de mudança? O que precisa acontecer para mudar?

  • *É legal quantificar as coisas, não precisa saber exatamente quanto custa o dólar e nem o quanto é a queda do PIB, mas é preciso ter uma noção da ordem de grandeza desses valores.

Outros: O que mais está rolando no Brasil? Olimpíadas? Como isso pode impactar as vendas da Nike? da Coca Cola? da Ambev? Acidentes? Grandes eventos? Mudanças em industrias?

Ao analisar o mundo:

Você deve seguir a mesma lógica do Brasil, o objetivo aqui é você não ser pego de surpresa e não saber que existe uma corrida eleitoral forte no USA, ou que ano passado a Grécia estava na iminência do calote, China anda assustando, como o Brasil é impacto por estes caras e principalmente o business que você está aplicando.


A2. Indústria

Para aqueles que já estudaram para os processos de consultoria é notória a lembrança dos frameworks do Victor Cheng, me baseei na estrutura que ele propõe para alguns tipos de case interview.

*** Aqui existe uma linha tênue entre estudar a indústria de um modo geral e as informações da própria empresa. Deste modo pode considerar que “clientes” trata tanto os clientes da indústria quanto os da sua própria empresa.

Competição/Mercado

Aqui é onde você sabe qual briga sua empresa está disputando.

  1. Qual o tamanho deste mercado?
  2. Este mercado está em crescimento, estável ou declínio?
  3. Qual a divisão deste mercado? (Mkt Share)
  4. Quantos concorrentes nós temos?
  5. Quais são as barreiras de entrada neste mercado?
  6. É um mercado que muda muito rápido ou não?

Clientes

Para quem estamos gerando valor?

  1. Quem são os nossos clientes? (Segmentos)
  2. Qual o tamanho destes segmentos?
  3. Existe alguma alteração nesta estrutura nos últimos tempos?
  4. Quais canais de distribuição utilizamos para alcançar estes clientes?
  5. Quanto eles estão dispostos a pagar?

A3. Empresa

Agora que já vimos o que está acontecendo no mundo e em nosso país, sabemos como a indústria tem se comportado e quem são nossos clientes (e a nossa receita) vamos olhar para os fatores internos.

Este talvez seja o ponto que é mais adaptável de empresa para empresa, você deve enfatizar mais onde acha que é o diferencial da empresa por exemplo.

Aqui você busca responder uma única pergunta: o que diferencia esta empresa?

Aqui é onde você se apaixona ou termina com a empresa, vamos lá!

Fatores Tangíveis

Neste ponto acho que você procura entender:

  1. Qual a divisão da empresa? (Áreas, geografia etc)
  2. Quais é o modelo de negócio dessa empresa?
  3. Como ela distirbui os produtos/serviços?
  4. Ela possui alguma prática que é destaque no mercado? (Ex: Custos da ambev)
  5. Quais são os benefícios dos produtos dessa empresa?
  6. É uma comoditie ou existe diferenciação?
  7. Existem substitutos?

E quaisquer outros fatores que te deixem minimamente confortável em “vender” a ideia da empresa/produto para uma terceira pessoa.

Fatores Intangíveis

Cada empresa terá o seu, é uma parte difícil de encontrar mas é crucial:

  1. O que as pessoas pensam dessa marca?
  2. Qual é o posicionamento dessa empresa? O que ela quer transmitir?
  3. Como é a cultura dessa empresa? O que valorizam? O que não valorizam?
  4. Como seria uma “persona” de um funcionário típico dessa empresa?
  5. Essa cultura sempre foi assim? Como foi o processo para chegar onde está hoje?

A4. Área/Função

Esta parte já é um pouco mais “tranquila”. Você precisa entender onde você está aplicando, então vamos lá:

  1. O que essa área faz?
  2. Onde ela se encaixa no business da empresa?
  3. Qual será minha função?
  4. Quais são as habilidades necessárias para isso?
  5. Como é o dia a dia de uma pessoa dessa área?

Acho que aqui é a parte mais tranquila, ainda mais depois de ter entendido o “todo” da empresa.


A5. Entrevistador

Se você gosta de stalkear e chegou até aqui, meus parabéns. Este é o bônus, a cereja do bolo, que apesar de ser legal pode ser desprezado caso você não tenha tempo/não queria fazê-lo.

Eu particularmente acho necessário conhecer quem vai me entrevistar. Ele está procurando sobre mim, certo? Então farei o mesmo.

  1. Quem é o entrevistador?
  2. Qual a área dele?
  3. Quais decisões ele toma?
  4. Qual é o seu background? O que já fez?
  5. Como ele entrou na empresa?
  6. O que ele procura?

B) Ferramentas — Como procurar?

Aqui é a hora de mostrar toda sua capacidade de research, eu basicamente uso os meios básicos e misturo as fontes: Google, Linkedin, Google Groups, Google Scholar, Facebook, Slideshare, Youtube, Site da Empresa, Site pros Investidores, amigos, clientes, desconhecidos e toda e qualquer fonte que você possa ter.

1. Linkedin

Linkedin é ótimo para te dar informações sobre a empresa e seus funcionários. A principal arma é achar quem são as pessoas que poderão te entrevistar, pessoas que são/eram da empresa e podem te dar aquela força sobre a área/empresa. Não tenha medo de fazer uma coldcall e tentar a sorte.

  • *Grupos de discussão e artigos são legais para entender como as pessoas de determinado lugar pensam, o que gostam. Vale a pena!

2. Slideshare

É incrível como no slideshare você acha milhões de coisas, experimente digitar um nome de uma determinada empresa la e a mágica é feita! Você acha vários trabalhos que alguém ja fez analisando a empresa, acha slides de eventos internos, acha slides de tudo quanto é tipo de coisa relacionada a empresa! Fonte muito boa!

3. Google Groups

Outra fonte subestimada são os grupos de discussão do Google! Experimente jogar o nome da empresa por lá, você acha várias discussões legais. Inclusvie sobre os próprios processos seletivos. É impressionante a quantidade de informações relevantes disponíveis nestes locais.

4. Google Scholar

Sempre procuro trabalhos com os nomes de empresa. São otimos pois agrupam já estudos de cenário, compilam dados e te ganham muito tempo pra achar todas as informações!

5. Facebook

Olhe a relação da marca com o público no face, quais propaganda você mais gosta, quais não, quais hastags estão usando e o que o povo tem comentado a respeito. É possível achar grupos também, são mais raros mas podem te ajudar. Porém o foco principal são nas fan pages.

6. Site da Empresa + Relações com Invetidores

Te dá o feijão com arroz. Valores, produtos, últimas notícias e coisas mínimas que você precisa saber.

Os sites de relação com investidores são os melhores. Eles tem apresentações do resultados financeiros, da próxima estratégia que vão seguir e tudo que voce imaginar minuciosamente detalhado. E é bom saber disso pois os próprios diretores/funcinários ouviram aquilo e seguem aquela estratégia. Fonte 100% segura e uma das mais valiosas.

7. Youtube

Youtube é ótimo. Você acha muitos vídeos pertinentes da empresa, candidatos falando do processo, videos da marca, de clientes falando da marca.

8. Google

Ele que é o buscador mais sensacional do universo faz a nosas vida a mais simples do mundo! Saiba usar o google a sua vida melhora 200%.

Eu costumo procurar somente pelo nome da empresa, segmento por data (notícias do ultimo ano, útlimo mês), procuro por combinações como “estudo de caso AMBEV”, “estudo AMBEV”, “distribuição logística AMBEV” e várias outras informações relativas as perguntas que falei logo acima.

O grande segredo é imaginar o documento que você está procurando e quais palavras estarão contidas nele. Já achei muita coisa boa assim! Busco também por notícias em outros países (ex: o que estão falando do guaraná no USA?) e esse tipo de coisa.

C) Exemplo

Stalkeando o entrevistador

Esta história foi engraçada! Estava pra fazer uma entrevista pra Fundação Estudar em 2014 e queria demais entrar pro time. Além de todas as pesquisas que eu já havia feito, eu comecei a olhar o entrevistador e tudo que encontrava dele na internet.

O melhor foi quando achei o perfil dele no youtube e quais vídeos ele dava like. Pra minha alegria existiam vários vídeos relíquias do Britto, Marcel Teles, Sicupira.. foi muito bom poder assistí-los antes da entrevista!

O dia que estudei a Ambev

Para a minha sorte eu tive dois eventos em datas próximas que demandavam o mesmo trabalho:

  • Semifinal da Competição de Casos (CRC)
  • Entrevista com um dos Diretores da Ambev

Então imagina que eu já estava disposto a procurar, procurei 200x mais.

Cheguei até a encontrar um mapa com a distribuição dos CDDs da Ambev no Brasil. Disponível aqui

Fiz uma pasta com vários arquivos que fui juntando sobre a Ambev aqui, podem acessar a vontade! Abaixo uma apresentação juntando algumas informações gerais, fiquem tranquilos que ela não foi apresentada ao público, era pra organizar as informações sem preocupação com estética.

 

No fim das contas passamos de fase na Competição de Casos e fomos campeões, e os aprendizados dessa época vão virar um post mais pra frente!

Na Ambev a entrevista foi bem, acabei “passando” pras próximas conversas mas infelizmente por agenda minha e do entrevistador seguinte não poderia mais participar (me mudei pra Singapura). Mas o estudo foi crucial principalmente quando fui perguntado o que eu acho que Ambev faz bem e o que ela faz mal!

Além desses pontos teve uma playlist que fiz com um dos líderes que me inspiram e que é da Ambev, conheçam o Carlos Brito:

Voltando a pergunta, a minha crítica, resumidamente, foi que a Skol ao tentar abordar o universitário do Brasil utilizava de peças de marketing que idealizavam um mundo muito distante de sua realidade.

O exemplo disso era essa promoção Viva Las Vegas. Nós acreditáveoms que o estudante rico do Insper/GV/FEA USP poderia se visualizar em Las Vegas, mas a média dos estudantes do Brasil só queria curtir um carnaval memorável ou um verão inesquecível, isso era muito mais factível que Las Vegas.

Eu não sei se a gente acertou e se eles já pensavam nisso, mas de fato desde Outubro/2015 para hoje Março/2016 a gente sentiu uma mudança bem nessa linha e, pelo menos pra nos, faz muito mais sentido.

Bem mais próximo da realidade do universitário brasileiro! Dá pra aspirar isso e querer chegar la 🙂


Obrigado a quem chegou até aqui!

Espero que esse artigo ajude muita gente em processos seletivos, dêem o like no post, compartilhem com os amigos e me mandem o feedback!

gabrielsspereira@gmail.com

Espero ajudar ainda mais nos próximos posts!

Boa sorte pessoal!

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