DESCULPA MÃE, NÃO VOU FAZER CONCURSO PÚBLICO.

Eu gosto de criar, pensar e inovar. Não quero essa vida.

Quando eu estava para escolher o curso de jornalismo, meus colegas queriam fazer cursos como Administração, Medicina, EngenhariaDireito. Eu perguntava a eles o motivo da escolha, eles respondiam: “Meu pai acha que é um bom caminho.” E eu retrucava: “Mas é o que vocês pensam fazer para o resto da vida?”. As respostas eram das mais variadas possíveis, desde “Vou fazer o que ele quer só para ter garantia de um diploma e depois, quem sabe, fazer algo que realmente quero.”(oi?) e outros mais sinceros deixavam logo claro sua motivação dizendo: “Se quiser ganhar dinheiro tem que ser assim.”

Eu achava aquilo tão medíocre. Na verdade, achava o cúmulo da idiotice.

Porque os brasileiros decidiram que o governo é um bom patrão?

A geração dos nossos pais herdaram de nossos avós um medo constante pela falta de dinheiro. Nossos avós viveram uma certa instabilidade econômica e uma realidade de insegurança que acabou passando hereditariamente e nossos pais imprimiram na gente um fetiche pela estabilidade, o medo do patrão e o dinheiro.

Perceba o número de pessoas que nos últimos anos tentam desesperadamente entrar em um cargo público somente pela promessa de um paraíso estável, o modelo sem chefia irritante e a ditadura de uma carteira gorda. Isso denuncia como está descontroladamente insano nossa percepção de propósito e trabalho.

Não quero aqui defender que a vida longe dos cargos públicos é a única possibilidade de ser feliz e que não existe alguma possibilidade de sentir-se completo dentro de repartições públicas. O que quero mesmo é que pensemos na motivação toda deste frenesi e fizéssemos uma breve reflexão.

Se você, assim como eu, não consegue se ver em uma carreira construída em um ambiente como este, talvez encontre aqui razões para desistir dessa ideia enquanto há tempo.

Estabilidade não me ajuda a crescer

Eu sou movido pelas experiências inovadoras, gosto de desafios, prefiro a flexibilidade e a autonomia que posso adquirir longe de um trabalho atrás de uma mesa por anos e anos.

Além do mais, pouca gente sabe que você pode perder o cargo sim! Caso o Estado esteja com despesas muito altas você tem risco de ser dispensado de acordoo com o com o artigo 169 da Constituição.

Gosto de poder me desafiar a cada dia sem perder o espírito que me leva para outros horizontes. Gosto de pensar que eu cresço quando tenho que aprender coisas novas sempre. O ambiente por de trás de pilhas de papéis e uma mesa para chamar de sua não me satisfaz.

Quero explorar mais as possibilidades

Eu realmente gostaria de me encaixar nesse esquema, mas sei que se eu entrasse em um trabalho no funcionalismo público estaria fechando as minhas oportunidades de gritar ao velho modelo que é possível viver um lado B. Não acredito mais nesse modelo, e não queria ficar condenado eternamente a não me arriscar e se aventurar mais para ganhar novas experiências, conhecimentos e oportunidades de aprender e ensinar.

Burocracia não é minha praia

Eu não sou nada organizado, metódico, sistemático. Tenho pavor de uma vida assim. Não poder ajudar alguém porque tem barreiras que nos impedem é lamentável para mim. Não suportaria me limitar porque as burocracias não me permitem andar. Gosto de soluções mais práticas e imediatas. Gosto de poder descomplicar as coisas e ajudar mais o mundo a andar.

Não quero uma carreira monótona

Só de pensar que estarei amarrado para sempre com uma tarefa já me faz notar que realmente não nasci para isso. Alguém poderia argumentar que não necessariamente é obrigado a ficar a vida toda em um cargo. É verdade, mas pensa comigo: A tendência de qualquer um nessa situação é acomodar-se. Acredite, com você não vai ser diferente! Não é regra, mas a maioria de nós jamais teria coragem de largar tudo e mudar de rota.

Desculpa mãe e toda geração que ainda acredita nesse velho modelo, mas estabilidade, dinheiro e carreira sem que haja um propósito real não será minha escolha para o resto da vida. Espero o apoio de vocês. Eu escolhi fazer diferente.

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Murillo Leal é jornalista e escreve também aqui, aqui, e aqui e aqui.

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